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As 5 principais safras geradoras de biocombustíveis

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  • 26 Setembro 2007
Por Miki Yokoyama
 / Créditos: Reuters

O milho está entre as cinco culturas mais importantes do biocombustível. Saiba mais sobre onde são cultivadas e se ajudam a combater as mudanças climáticas. (Foto: Reuters)

Biocombustíveis podem ser produzidos a partir de várias safras e plantas. Milho, colza, dendezeiro, cana-de-açúcar e jatrofa estão entre as cinco principais. Mas até que ponto elas são eficientes e sustentáveis?

Trigo / Milho

Principal região de cultivo: Estados Unidos
Produção mundial de milho em 2006/07: 702 milhões de toneladas

O milho é uma das mais importantes safras mundiais e está sendo processado de forma crescente para produzir bioetanol. Os maiores produtores mundiais de milho são os Estados Unidos, respondendo por cerca de 40% da produção mundial total, sendo que até um terço desse percentual é processado em etanol. O governo dos Estados Unidos promoveu a produção do álcool combustível com subsídios, alegando que isso reduz a dependência de petróleo importado.

Todavia, produzir etanol a partir de milho não é muito eficiente. O plantio de milho requer mais fertilizantes e pesticidas do que a maioria das outras colheitas. Para processá-lo em combustível aproveitável, os grãos de milho precisam ser submetidos a processos de extração química e destilação, que usam grande quantidade de energia. O etanol refinado ainda precisa ser embarcado para o seu destino final, o que acrescenta custos adicionais. De forma geral, atualmente o etanol derivado do milho pode ser produzido apenas com subsídios elevados.

O repentino aumento de biocombustíveis aumentou dramaticamente a demanda de milho. Enquanto os fazendeiros de milho lucram, as nações importadoras são gravemente afetadas. Os mexicanos, por exemplo, precisam lidar com os aumentos de preço do milho, devidos em parte à rápida expansão do etanol nos Estados Unidos.

Colza / Canola

Principal região de cultivo: União Europeia, China, Canadá, Índia
Produção mundial de colza em 2006: 46 milhões de toneladas

Com produção anual da ordem de 12 milhões de toneladas, a China é a maior produtora mundial de óleo de colza. Os países da União Europeia produzem conjuntamente outros 16 milhões de toneladas.

Tradicionalmente usado para a fabricação de óleos, sabonetes e plásticos, o óleo de colza tornou-se a base do biodiesel na Europa. Em 2006, cerca de 4 milhões de toneladas de óleo de colza foram para o biodiesel, tornando a Europa líder global no biodiesel proveniente de sementes oleaginosas.

Essa predominância se deve aos fortes subsídios destinados ao cultivo de colza pela União Europeia para atender às suas metas de redução de dióxido de carbono. A produção terá de dobrar dentro de poucos anos para que a União Europeia atinja seu plano de suprir 10% do total de combustíveis de veículos com biocombustíveis até 2020.

Sem inovações tecnológicas, isso só será possível por meio de novos subsídios. Atualmente, a produção de biodiesel a partir de sementes oleaginosas é duas a três vezes mais cara do que a de diesel derivado de petróleo. O plantio de colza exige fertilizantes, e extrair o óleo das plantas agrava ainda mais seu equilíbrio energético. Pesquisadores afirmam que o biodiesel do óleo de colza não é tão eficiente quanto os biocombustíveis derivados de cana-de-açúcar, pois sua produção usa mais energia e libera mais dióxido de carbono.

Cana-de-açúcar

Principal região de cultivo
: Brasil
Produção mundial em 2006: 1,3 milhão de toneladas

O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, e responde por cerca de 45% da produção global de etanol. O país passou a produzir o biocombustível em massa a partir dos anos 70 e foi pioneiro no uso do etanol como combustível para o transporte. A cana-de-açúcar pode ser destilada para produzir bioetanol. Ela requer pouca energia, pois o bagaço (um subproduto da cana-de-açúcar) é usado para aquecer o processo de destilação. A planta também cresce muito rapidamente e converte até 2% da energia solar incidente em biomassa, o que a torna uma das mais eficientes plantas produtoras de energia.

Embora a cana-de-açúcar seja frequentemente produzida em grandes lavouras, as usinas de etanol são limitadas, pelo fato de a cana-de-açúcar precisar ser processada no prazo de 48 horas. Ambientalistas afirmam que o plantio de safras de cana incentiva o desmatamento e causa a disparada dos preços do açúcar. O etanol derivado da cana-de-açúcar não requer subsídios, mas os críticos afirmam que a degradação ecológica causada pela expansão da produção da cana-de-açúcar supera quaisquer ganhos ambientais resultantes do uso de biocombustíveis.

Dendezeiro

Principais regiões de cultivo: Regiões tropicais, Indonésia, Malásia
Produção mundial em 2006: 33,3 milhões de toneladas

A Malásia e a Indonésia são as principais protagonistas do mercado de dendezeiro, respondendo por 85% da produção global. O plantio é impulsionado principalmente pela demanda de biodiesel de países industrializados. De acordo com algumas estimativas, os custos de produção de biodiesel derivado do dendezeiro são cerca de 30% menores do que o do biodiesel derivado da colza. Isso se deve amplamente à produtividade dos dendezeiros, que, em média, produzem 2,5 vezes mais óleo por hectare do que a colza.

Entretanto, os ambientalistas condenam veementemente a produção de biocombustíveis a partir do dendezeiro. Eles afirmam que grandes porções de florestas tropicais na Indonésia e na Malásia estão sendo dizimadas para abrir caminho a novas plantações. Isso destrói o habitat de espécies ameaçadas, como o do orangotango. Desviar terrenos destinados à produção de alimentos também poderá ter consequências negativas, uma vez que o dendezeiro é uma parte importante da alimentação de milhões de pessoas que agora se deparam com a alta dos preços.

Jatrofa

Principais regiões de cultivo: Índia, Mianmar, Mali, Filipinas
Produção mundial em 2006: desconhecida

Antes usada para fazer sabonete e velas, essa planta resistente da América Central foi identificada por especialistas como uma eficiente fonte de biocombustível. As sementes de jatrofa contêm até 40% de óleo, que pode ser queimado em um motor a diesel convencional após a extração. A planta cresce em terrenos difíceis, requer relativamente pouca água, gera solo arável e ajuda a conter a erosão. O arbusto de jatrofa vive até 50 anos, produzindo óleo em seu segundo ano de crescimento. Por outro lado, a planta é venenosa para homens e gado e deve ser cultivada manualmente, exigindo assim muita mão de obra. Até que a lavoura de jatrofa possa ser mecanizada, a produção em larga escala é viável apenas em países com elevado desemprego e mão de obra barata.

Na Índia, especialistas do governo identificaram mais de 11 milhões de hectares que seriam adequados para o plantio de jatrofa. Os críticos, contudo, temem que a jatrofa possa substituir as colheitas destinadas a alimentos, cuja necessidade é premente.



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